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Roda infantil da Academia Tabosa realizado na
Faculdade Dom Bosco - Década de 80

Mestre Tabosa e Bailarino (nos berimbaus), Herald (no pandeiro) e
alunos do Xanzinho (no atabaque) - 1987




Em 1994 na Academia Tabosa Mestre Tabosa entregou a primeira corda para a aluna Índia da Mestra Bad Eliane Ferreira da Silva, discípula do Mestre Skisyto em 2017, quando tinha apenas 4 anos de idade.

1) Jogo do Pau - 1967 / 9168 / 1969
(Campeonato Berimbau de Ouro)

A ampulheta
(Mestre Squisito)
Tanta lembrança alguns objetos guardam…
Se você estiver esperando que o tempo passe logo, ele tarda sempre, a noção de minuto é ampliada… a angústia pela demora, simplesmente nos devora, fazendo às vezes doer cada segundo, cada click representa uma delonga… Até os deuses do Olimpo temem o pavoroso Cronus que afeta até mesmo aqueles deuses poderosos.
Se trouxer para nossa realidade então, inventamos tudo que é possível, para lidar com a noção do tempo. Nossa existência é pautada na noção de que temos um certo tempo para viver e depois disso iremos para o limbo da irracionalidade, pois ninguém compreende a morte.
Mas houve um tempo em que enfrentar um marcador de tempo, era uma meta, um propósito, um desafio… Na Academia Tabosa, numa época aura em que todos nos empenhávamos para superar os nossos limites, Mestre Tabosa usava uma ampulheta para definir um desafio…
Um dos desafios era fazer a Sequência do Mestre Bimba no tempo em que aquela ampulheta esvaziava toda sua areia de cima para baixo… Dois minutos. Terminado esse tempo se sabia quem conseguia completar a sequência e quem não conseguiu.
Todos tinham que segurar o esforço até aquele tempo em forma de areia escorregando calma ou rapidamente, dependendo de qual fosse o desafio.
Outra coisa era o tempo de jogo, tinha que se jogar aquele tempo em que a ampulheta descia sua areia calmamente, enquanto o nosso limite era testado para manter o ritmo do São Bento Grande enquanto a areia escorria lentamente, ao contrário do nosso esforço ofegante que buscava ficar até o momento em que aquela areia acabasse de escorrer…
Assim, tínhamos duas situações completamente opostas em relação ao tempo, nosso diálogo com aquela ampulheta: Demoravam uma hora aqueles dois minutos em que tínhamos que jogar, sem interromper o jogo até que a ampulheta terminasse de jorrar sua areia para baixo… Passava em segundos, o tempo que tínhamos para desenvolver a Sequência do Mestre Bimba, enquanto a ampulheta corria... Eram os tempos opostos que aquele instrumento nos exigia.
Eram desafios que nos faziam buscar superar nossos limites, incentivos que nos moviam...Uma coisa tão simples se tornava uma coisa tão importante e tão estimulante.
Hoje dá pra pensar que o tempo daquela ampulheta foi ampliado para o tempo de uma vida inteira, onde as lembranças de nossas conquistas nos estimularam e continuam a estimular para que continuemos na luta enquanto as areias da vida escorrem na direção da inércia do tempo que não controlamos…
Isso tudo é Capoeira, sempre foi a nossa arte, que na batuta de um grande mestre nos auxiliou e continua a pulsar em nossa vida as condições para enfrentar os desafios que o tempo nos impõe.
Skisyto, bom dia!
Estou em Vitória/Es, mas digo isso como mote para a vitória do seu texto relativo a ampulheta que usávamos nos áureos tempos da nossa academia!
Parabéns, tá bonito e abrangente no tocante a filosofia que de forma intrínseca exercia na magia do tempo!
Valeu, obrigado! Tabosa
Viajar na janela
Sortudo. Um grande de um sortudo! Essa é a certeza que tenho quando penso no privilégio que foi ter sido gerado e crescido num ambiente repleto de cultura e arte. E dentro desse contexto, ter acompanhado atentamente genuínos criadores e artistas talentosos, no livre desempenho de suas faculdades excepcionais.
Digo isso porque ter sido sobrinho e aluno do Mestre Tabosa permitiu que me valesse da única característica/qualidade que possuo, o poder silencioso e atento da observação, para aprender muitíssimo, o tempo todo, com os exemplos, os comportamentos e as respostas espontâneas, muitas vezes por reflexo instintivo, vez que absolutamente sinceras e diretas, daquelas pessoas queridas que me rodeavam e que pertenciam à minha família e entornos sociais. Enfim, tal privilégio permitiu-me colecionar soluções e respostas a problemas que ainda iria conhecer ou formas surpreendentes de agir a situações que o devir ainda não tinha me apresentado, o que possibilitou pegar alguns valiosos atalhos nas minhas próprias e futuras caminhadas…
Todo esse preâmbulo para contar um fato pitoresco que presenciei e anotei mentalmente, que demonstra um exemplo precioso e espontâneo de criatividade e inspiração naturais do Mestre Tabosa na vida e na capoeira.
Lá em meados dos anos 80, na academia então localizada na comercial da 708/709 Norte, num fim de tarde antes de começar o treino das 18h, o Tabosa estava armando os berimbaus para já deixá-los em condição da roda, ao final do treino. Naquela ocasião, tínhamos a honrosa presença do saudoso Mestre Peixinho, que então ministrava um curso de capoeira, puxada de rede e maculelê.
Ali então, sentado como quem não quer nada, acompanhei um papo entre esses dois referenciais na capoeira em que o Mestre Tabosa contou que quando a sua academia ficava na 506 Sul, havia uma outra, de balé, nos fundos e ali, entre saltos e piruetas, as meninas dançavam ao som de um piano de cauda. A amizade com a dona da academia vizinha fez com que, numa das trocas de cordas do piano, o Tabosa, vendo que as cordas velhas seriam descartadas, solicitasse as mais longas, da parte mais grave daquele instrumento, para fazer um teste, pois teve a ideia de colocar no berimbau uma daquelas cordas e ver o resultado sonoro!
A experiencia se repetiu umas poucas vezes, uma vez que essas cordas eram difíceis de serem obtidas, ou simplesmente muito caras para serem compradas novas, mas foi o suficiente para ele ter outra sacação. Sempre que possível (e ele o fazia naquele exato momento), ele afinava o conjunto de berimbaus num acorde maior, a partir da nota fundamental do berra-boi, o berimbau mais grave da composição! E ali, na minha frente e do Mestre Peixinho, ele repetiu essa proeza. Colocou o berra-boi em Sol, o gunga em Si e o viola em Ré!
Ora, nada mais natural para um capoeirista que também é um músico excepcional, conhecido também pelo seu violão, voz e bom gosto musical, herdados, aliás, do mesmo contexto formacional citado no início. Mudo o começo para Sortudos?!!
DEPOIMENTO
Mestre Herald Tabosa de Córdova - 06/12/2025
(Mestre Avançado da Academia Tabosa)
Resposta do Mestre Tabosa ao Mestre Herald
Mestre Herald e sobrinho, obrigado por desenterrar momento esquecido no subterrâneo da nossa memória!
A Capoeira naquela época era assim, de forma experiencial, procurávamos alguma forma que agregasse a arte!
"Discípulo que aprende e mestre que dá lição", e isso diz respeito a você, que demonstrou que aprender Capoeira não é só dar golpe, e sim estar atento aos sinais que estão ao nosso redor na vivência da Vida!
Salve! Hélio Tabosa
(*) Nota: A academia citada é a Academia de Ballet Advanced foi fundada por Glória Cruz, iniciando suas atividades em 22 de março de 1977, com sede na 506 sul
Inovação da Bateria da Capoeira Regional uma contribuição do Mestre Tabosa
https://mestretabosa.blogspot.com/2024/04/inovacao-da-bateria-da-capoeira.html
Cursos do Mestre Peixinho na Academia Tabosa