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Mestre Tabosa, discípulo do Mestre Arraia, deu continuidade à capoeira de Brasília desde 1965. Em 1974 montou a primeira academia de capoeira de Brasília a Academia Tabosa. Interessou também em outros esportes como judô, sumô, esgrima, Professor de Ginástica Localizada Brasileira e é competidor de maratonas e caiaque. Na área das artes, Mestre Tabosa também participou de teatro, cinema e na música tornou-se cantor e compositor. Seu Blog vai disponibilizar todas as facetas deste grande homem.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Mestre Tabosa e a Autobiografia Visual

Autobiografia Mestre Tabosa

Curriculum histórico



Hélio Tabosa de Moraes, nascido em 05 de Fevereiro de 1947 na cidade do Rio de Janeiro, antiga Guanabara.

Filho de Rejane Flávia Tabosa de Moraes e Herald Tabb de Moraes, este, militar combatente da segunda guerra mundial, participou até da subida de Monte Castelo na tália, razão que me dá para concluir que nos meus genes, existem caracteres de lutador!

Após mudar de diversos estados deste nosso grande Brasil, de transferência por meu pai ser militar, em 1960 na inauguração de Brasília a família veio morar aqui, para não sair mais!

Tive a sorte de neste ano, me matricular no Caseb, um colégio público de nível ginasial como era chamado na época, que foi inaugurado com um sistema totalmente revolucionário e referencial para o país, onde tive oportunidade de me iniciar no atletismo e representar o colégio em competições.

Era de praxe que ao término dos quatro anos do ginásio, passaríamos para o científico em outro colégio público que era o Elefante Branco. E assim foi o que aconteceu em 1964, onde tive a oportunidade de me encontrar com a Capoeira!

Já tinha ouvido relatos desta luta Capoeira, que existia na Marinha, ou mesmo na malandragem do Rio de Janeiro. Não só a curiosidade me despertava a necessidade de conhecê-la, como também algo em mim tinha ressonância na vibração deste nome, Capoeira!

Estava num intervalo de aula, quando alguém disse que estava tendo uma exibição de Capoeira num determinado local. Falei comigo, é agora que eu vou ver como é essa tal de Capoeira. Corri para o local e me deparei com somente uma pessoa, a falar muito sobre o assunto e a desferir alguns golpes rente a cabeça daqueles que estavam próximos!

A princípio fiquei reticente em ver aquele falador, mas a destreza de seus golpes sobre as cabeças dos expectadores me deixou impressionado que pensei, “se eu conseguir dar um golpe desta forma, já me dou por satisfeito”, acho que fui seu primeiro aluno matriculado no Elefante Branco.

Aldenor Benjamim, para nós mais tarde, mestre Arraia, filho de ministro do governo, vindo transferido da Bahia para a capital, aluno também do científico um ano a minha frente.

No primeiro dia de aula, Aldenor foi jogar futebol no campo do Elefante e mandou o Marconi dar a nossa primeira aula! Outro baiano que nunca mais vi.

Marconi relatou ao Aldenor que a turma era boa e que tinha um aluno que já tinha aprendido a sequência bem rápido!

Aldenor nunca admitiu que quem deu a nossa primeira aula foi o Marconi, queria para ele esse direito!

Foi aí que tive contato dentre muitos que ali passaram como alunos, o Claudio Queiroz, hoje mestre Danadinho, Alfredo Eustáquio Pinto, hoje mestre Fritz. Cito mais os dois, porque logo depois o Aldenor por estar envolvido em política estudantil (estávamos pós 1964, ano da revolução), teve que ser transferido de volta para a Bahia e nós três, tivemos que dar prosseguimento a Capoeira em Brasília.

Naquela época, talvez até por uma necessidade de afirmação, tivemos que nos deparar com alguns valentões que apareciam nas aulas para nos desafiar e como era de praxe, um capoeirista que apareceu e fez amizade, de nome Duda, se prestava para ser o padrinho dos desafiadores e nós nos revezávamos para sermos padrinho de nós mesmos! Claro que a pancada comia e muitas costelas dos desafiadores sofreram com isso!

Foi quando surgiu mestre Onça Tigre, baiano, soube da capoeira no Elefante e apareceu falando manso e de certa forma intimidando nosso professor Aldenor! 

Falou que era aluno de mestre Bimba e pediu que o Aldenor lhe desse na altura do ombro, onde se colocou com os braços para trás, seu melhor golpe! 

Nós apreensivos com aquela situação ficamos atentos. Aldenor gostava de dar uma armada, golpe em rotação que com sua perna pesada era respeitada!

Deu uma armada no ombro de Onça Tigre, que lhe disse: dê com mais força! Claro que percebi que a adrenalina do Aldenor subiu, foi aí que ele deu uma armada tão forte que vi quando a perna oscilou na sua trajetória e pegou bem no rosto descoberto de Onça Tigre. Neste momento as luzes por coincidência absurda se apagaram! Eu já estava de pé, pensando no pior, quando por segundos as luzes voltaram a acender e vi que ainda estava de pé Onça Tigre com o rosto todo crispado, e com os olhos fechados disse: boa armada!

Nós ficamos fãs dele, que julgávamos que já tinha uma certa idade, que talvez não passasse dos 45 anos, ficando assim, assíduo participante dos nossos treinos! (foto da internet cedida pelo Historiador Rubens Cavalcante - Nilson, Mestre Onça Tigre) 

Tivemos oportunidade de os três serem chamados para compor um time muito especial no campo do esporte de luta, uma academia onde tínhamos o Judô com o sensei Shiozawa e sensei Kokitani, que tinha a supervisão do sensei Ninomia, o mais velho e reverenciado por todos os judocas! No Karatê sensei Nakamura e nós três na Capoeira, sendo que o mentor desta academia era um campeão de polo aquático de quase 2 metros de nome Zabor! (Foto: Tabosa no pandeiro, Cláudio Danadinho do berimbau do centro e Fritz no segundo berimbau - foto cedida pelo Historiador Rubens Cavalcante)

Mas não demorou muito essa academia, e eu que tinha pedido demissão do banco Mercantil de Minas Gerais, fiquei sem emprego temporariamente, até que fui ao banco fazer alguma transação e o gerente me perguntou se eu estava trabalhando e eu lhe disse que não, respondendo-me “então pula o balcão e começa agora”. Minha gravata ainda estava numa das gavetas, e logo a coloquei e ali recomecei, onde foi meu primeiro emprego!

Em 1967, o Claudio que volta e meia ia ao Rio de Janeiro, me diz que encontrou um grupo de capoeiristas muito parecido com a gente, que era da zona sul do Rio, estudantes e que gostavam de praticar a Capoeira.

Temos que nos transportar no tempo, pois naquela época não tínhamos locomoção com facilidade, avião sem chance de tão caro e o ônibus levava quase 24 horas para chegar no Rio.

Fomos então para eu conhecer aquele grupo, mas adverti o Cláudio que devido o desgaste da viagem, no primeiro contato só iríamos conversar, que ele não me pedisse para jogar! Foi o mesmo que tivesse dito o contrário, pois Claudio já devia ter falado a meu respeito, que o Gato logo pediu para fazermos um jogo, onde claro não pude recusar!

Jogamos bem e bem duro e eu que estava muito cansado da viagem,
joga com um, ia ao banheiro estabilizar minhas bílis e voltava para outro jogo! Esse encontro ficou marcado em minha vida, pois se tratava do grupo Senzala que nos convidou para participarmos do Berimbau de Ouro, competição que ia acontecer naquele ano na feira da Providência, onde participamos em 67, 68 e 69. 

Berimbau de ouro tinha as mesmas características de uma outra competição no futebol, que se chamava, taça Julis Rimet, onde era necessário ganhar três anos consecutivos ou cinco anos alternados para ficar com a taça. (Foto do Raphael, representante do Grupo Senzala, recebendo o berimbau de ouro em nome de todos os participantes - foto cedida pelo Historiador Rubens Cavalcante)

A Senzala e nós que compúnhamos esse grupo, vencemos por três anos consecutivos nos os anos acima mencionados!

Cláudio Danadinho, Fritz e eu participamos dos três, e Adilson, hoje mestre Adilson, participou do último berimbau de ouro.


Convém ressaltar que o mundo neste momento histórico passava uma áurea muito positiva, muito criativa, haja vista que surgiu de forma bem consistente na música brasileira a Bossa Nova, nascia Brasília, aparecia no mundo os Beatles e muitas manifestações que se tornaram referência e divisoras de tempo, como foi esse momento da competição Berimbau de Ouro, onde o pessoal do Rio teve condições de se conhecer e saber da existência de outros grupos de capoeira! Como nós talvez mais antenados as mudanças que viriam acontecer, saímos na frente com uma exibição que veio revolucionar o cenário da nossa Capoeira!

Primeiro nos apresentamos sem camisa e usávamos uma calça que ia na altura da canela, listrada com cores fortes e uma corda vermelha amarrada na cintura, para reforçar o loock. Enquanto os outros grupos se mantinham numa tradição de indumentária, que até mesmo não tínhamos consciência de que se tratava de alguma tradição, fizemos uma apresentação que causou um certo impacto!

Lembro que o Cláudio, querendo que um aluno dele participasse do Berimbau de Ouro, pediu que eu
criasse um jogo diferente para fazermos na exibição. Foi quando eu fiz uma coreografia, onde eu era atacado por ele, que usava um pau de berimbau. Esse outro era o nosso querido mestre Peixinho, Marcelo naquela época. Apresentamos essa coreografia nos três Berimbau de Ouro!

Mestre Aldenor segundo conta a lenda, não era capoeirista de academia, aliás somente quem fosse matriculado da academia do Mestre Bimba ou do mestre Pastinha, podia ser chamado assim! A maioria surgia da vivência da rua, como muitos nomes que hoje conhecemos, mestre Traíra, Waldemar da Liberdade e muitos!

Aldenor contava que era vizinho de Ubirajara, o Bira, que hoje conhecemos como mestre Acordeon, esse pelo lado da capoeira Regional, donde trocavam conhecimentos em seus treinos de garagem e pelo lado da Angola, tinha amizade com Roberto Satanás!

Minha identidade com a capoeira Regional se deu desde o início do meu aprendizado, pois a fase do Aldenor quando chegou em Brasília era de um jogo rápido, de certa forma violento, sem muito uso de rolês nem tão pouco de fazer qualquer tipo de chamada, que só fui ver bem mais tarde na capoeira Angola.

Quando ele vai pra Bahia saindo de Brasília por problemas políticos, eu o vi em fotos de revista, como a revista Manchete e outras da época, junto com os capoeiras do mestre Pastinha, o que chamou minha atenção, mas eu já estava muito envolvido com o formato da capoeira Regional, onde até mesmo usava a sequência de ensino, que uso até hoje, claro com algumas adaptações, que sei que mestre Bimba também o faria!

Quando Aldenor retorna pra Brasília, quase não o vi, a não ser nas rodas de sábados na minha academia, onde participou de forma discreta e que eu respeitei aquele seu momento. Momento esse que ele estava envolvido com a capoeira Angola e passou seus ensinamentos ao mestre Barto! (Foto: Mestre Arraia quando foi visitar a Academia Tabosa. Ele está em pé de blusa vermelha assistindo a roda dos alunos de Mestre Tabosa. No berimbau Metre Tabosa, Mestre Gato e seu filho "Gatinho", no pandeiro Fred Arquiteto (aluno de Mestre Tabosa)  - (foto cedido pelo Historiador Rubens Cavalcante))

   

Em 1968 até perto de abrir minha academia em 1974, comecei a dar aulas de capoeira
na UNB, chamado pela FAUNB, Federação Atlética da Universidade de Brasília, onde de forma interessante, ela oferecia as modalidades de lutas, como Judô, Karatê e Capoeira, como opção da atividade física, substituindo a chamada
Educação Física obrigatória!

(Fotos: Mestre Tabosa e seus alunos na UnB - fotos cedidas pelo Mestre Tibério) 










Antes de abrir a minha academia de Capoeira, passou por Brasília um mestre muito conhecido no cenário da capoeira daquela época, mestre Camisa Roxa, Edvaldo Carneiro, onde nosso encontro merece um espaço desta narrativa. 

Morava com meus pais e recebi um telefonema onde do outro lado se dizia que era o Camisa Roxa!
Eu pensando que era um trote do Adilson, falei meio, “tá fala lá“, ele continuou dizendo que o Claudio Danadinho tinha dado meu telefone pra ele entrar em contato comigo! Aí eu percebi que aquilo era real e perguntei aonde ele estava, ele respondeu na rodoviária, nervoso falei, vou te buscar e desliguei. E aí, onde na rodoviária, um lugar específico não ficou marcado. Liguei pro Adilson que sabiamente falou, “vamos pra rodoviária com um berimbau na mão”, boa falei! Chegando na rodoviária logo veio ao nosso encontro uma pessoa que vendo o berimbau e por ter minha descrição, falou “ você é o Tabosa? ”. Claro, você é o Camisa Roxa e este aqui é o Adilson, também da capoeira. Por uma coincidência ímpar, ele percebe que quem vem vindo neste momento, mestre Bimba, e ele fala comigo: “não fala o que eu vim fazer aqui”. Eu que não sabia mesmo o quê ele vinha fazer em Brasília, calado fiquei, e ele fez as apresentações, este é o Tabosa meu amigo. Mestre Bimba falou, “se é amigo de Camisa é meu também” e apresentou em seguida o Adilson. (Foto: Mestre Tabosa e Mestre Camisa Roxa)

Realmente mestre Bimba era uma figura muito forte, estatura alta e falava com convicção e o Camisa me disse: se ele soubesse que eu quero montar um show aqui em Brasília, ele que vai fazer uma exibição em Goiânia ficaria bravo, achando que esses 200 km de distância seriam possíveis fazer concorrência! Aí eu pude ver o respeito e de certa forma, o medo que os alunos tinham pelo Mestre.

Camisa monta o show em Brasília, e eu sou convidado a participar. Depois ele foi para Belo Horizonte inaugurar o teatro mais bonito daquela cidade, eu o acompanhei... e depois se prepara para ir pra Alemanha e me convida, e eu “amarelo, fico no Brasil com anseio de abrir uma academia.

Em 1974 em plena ditadura, faço com meus alunos uma exibição no Palácio do Buriti para a filha do presidente Ernesto Geisel.

Também em 1974 junto com 70 alunos da academia Tabosa, faço uma exibição para a inauguração do Estádio Mané Garrincha, dividindo o campo de futebol com outras modalidades de lutas, todas ao mesmo tempo! (Foto: Mestre Tabosa está com as mãos nos joelhos no lado esquerdo da foto)

Em 1976 fizemos uma exibição no Ginásio Nilson Nelson com a participação de dois Ogans no atabaque: Ari da nação Omolokô e Lima da nação Keto, ainda com a participação da mãe de Santo e mãe da Edna, que era aluna da academia. (Foto1: Mestre Tabosa e seus alunos no Ginásio Nilson Nelson e Foto2: Mestre Tabosa dando um Xangô e atrás a mãe de Santo)




Em 1974, junto com meu sócio, Robson Machado da Silva, abrimos
a primeira academia formal de Brasília!

Como não tinha nenhuma referência de como era uma academia de Capoeira, que como disse viajar naquela época era muito difícil e as únicas que poderiam ser referência seriam a de mestre Bimba e mestre Pastinha, todas em Salvador, o que inviabilizava.

Tive então uma preocupação de fazer uma academia de Capoeira onde pudesse ser referência de técnica e disciplina.



Eu que já praticava judô na academia Júlio Adnet que tinha essa tradição, me inspirei em muito naquilo que observava e que achava importante para a nossa Capoeira.

A nossa academia, a academia Tabosa, nome dado pelo meu sócio, pois na verdade queria que ela se chamasse, academia Yoruba de capoeira, se situava inicialmente na W/2 Sul 505 ao lado de uma academia de Karatê de nome Nagaikan, dos faixas pretas, Testa, Botelho e Childerico.

Tanto no Judô como no Karaté, eu observava que tinha uma saudação inicial e final de cada aula. Então procurei fazer uma saudação própria para a capoeira, ou seja, percebendo que tanto nos centros de religião africana, como até mesmo os guerreiros romanos assim faziam, senti que seria fácil absorvermos um gesto como o bater da mão direita no peito esquerdo, acompanhado da palavra salve, descendo em seguida numa queda de rins que usamos muito na capoeira.

Então eu colocava todos os alunos a minha frente da direita para a esquerda em ordem de graduação em pé, fazia a cocorinha, eles em seguida faziam. Batia a mão fechada no peito esquerdo e fazia a queda de rins e os alunos repetiam em seguida. Então podíamos começar a aula e finalizar deste mesmo jeito! Só não esperava que se tornaria uma saudação normal entre os capoeiristas. (Foto: Mestre Herald e Mestre Tabosa)

Outra cobrança que tive neste período foi de na capoeira termos “graduação”, o que não existia, como também não existia um uniforme oficial! Passamos por diversas experiências, que eu ia criando e tentando dar uma condição melhor para treinar com uma roupa adequada, como por exemplo: calça de lycra, como era usado na ginástica olímpica, mas não deu certo!

Tivemos um período que usamos uma Bata com a manga até a metade do antebraço, ficou bonita, mas depois a camiseta ficou mais fácil!

Meu contato com a Senzala vem desde 1967, como já foi narrado. Todo final de ano, passava minhas férias no Rio de Janeiro, onde aparecia nos treinos da Senzala e também frequentava várias academias de ginástica, sendo uma das grandes experiências profissionais que tive como professor de ginástica, criando aulas com características diferentes das outras, onde usei movimentos da capoeira, chamando-a de ginástica localizada brasileira! (clique no nome "ginástica localizada brasileira" para assistir o vídeo de uma aula de Mestre Tabosa)




Tentei trazer para Brasília a graduação que a Senzala acabava de oficializar na sua academia, mas ao conversar com o Peixinho, meu camarada, não recebi uma explicação que pudesse satisfazer o interesse dos alunos de Brasília!

Como já tinha me comprometido com os alunos que teríamos uma graduação, fiquei sem chão! Já na véspera de voltar, pensei, como vou fazer para honrar minha palavra com os alunos. Percebi neste momento que estava em frente de uma casa que vendia artigos de Umbanda e vi que tinha um brilho interessante num colar pendurado de cor marrom, outro de cor verde e assim vários, que me chamou a entrar na loja.

Perguntei o que representava aqueles colares e a senhora da loja me respondeu que eram as guias dos Orixás! Perguntei o que representava aquelas cores e ela me respondeu que eram as cores na Umbanda, que sintetiza a religião africana no Brasil, de cada Orixá!

Marrom-Xangô, Verde-Oxossi, Amarela- Yansã, etc! Perguntei-lhe se tinha uma guia que tivesse todas as cores, ela respondeu que sim, a Guia dos setes Orixás que regem a Umbanda! Aquilo para mim, além de um aviso, foi minha salvação, pois estava iniciando a criação da graduação que eu precisava levar para os alunos!

Fiz então a graduação da nossa academia que ficou por 20 anos na sequência da guia que havia comprado, por ter sido levado ao acaso aquela loja, honrei com as cores da guia e sua sequencia que era: Azul (Yemanja) – Marrom (Xangô) – Verde (Oxossi) – Amarela (Yansã) – Roxa (Oxum) – Vermelha (Ogun) e Branca (Oxalá).

Quero ressaltar que jamais essa graduação teve um cunho religioso! O que quis foi homenagear a religião afro, uma vez que tinha como premissa filosófica, que uma pessoa para ser inteira precisa de três pilares, ou seja: Família, trabalho e fé! Família os africanos que aqui chegaram e que mais tarde criaram a nossa Capoeira, que acredito que foi “parida em solo verde amarelo”. Como disse, a família eles não tinham, pois foram arrancados dela! Trabalho, tão pouco, pois foram escravizados. Só restou para essas pessoas a Fé, para mantê-las em pé, que aqui com essa graduação eu fiz a homenagem usando a Umbanda que, como disse, sintetiza a religião Afro aqui no Brasil.

Quase essa graduação iria unificar um grande grupo de Estados, que participaram há muito tempo de um evento em Curitiba, realizado pelo chamado do mestre Burguês. Por uma enquete de várias graduações que lá existiam, venceu esta nossa para unificar àqueles que estavam unidos pela Capoeira. Mas houve uma crítica a graduação, que apesar de ter ganhado até pelo cunho histórico, faltava homenagear a bandeira brasileira no histórico de sustentação da graduação, que geralmente falamos, Verde, Amarela, Azul e Branca.

Vinte anos depois de usar esta sequência na minha academia e por descobrir que na lei da Umbanda, a guia não precisava seguir aquela sequência da que eu comprei, ou seja, você monta a guia com a sequência que você quer, pois, todos os Orixás tem o mesmo valor de força e luz. Por uma força do acaso, vi que poderia tirar a cor Marrom que era a segunda e que representa um Orixá guerreiro que é Xangô, aparecendo assim, a cor da bandeira do Brasil. Só remanejei para ficar na ordem que todos falam, Verde/Amarela/Azul/Branca. Minha sequência sem o marrom era: Azul, Verde, Amarela, e o Branco deixei como estava por último, pois é praxe na Capoeira o Branco ser para o Mestre, como na religião Umbanda ela também é para o Mestre maior de Luz.

Coloquei na ordem então: verde, amarela, azul, como um estágio de brasilidade dentro da graduação, e segui com o Roxo, passando a cor Marrom para contra mestre e em seguida Vermelho como já estava!

Aproveitei que já estava havendo conflito em relação a cor da corda Vermelha, pois quando usamos no Berimbau de Ouro, ela não tinha um cunho de graduação. Passou a ter quando já estávamos dando aula, e os membros daquela exibição resolveram que seria a cor do professor, como era chamado naquela época quem dava aula de capoeira.

Como estava dizendo, aproveitei para criar nesta graduação, a graduação superior para Mestre, usando a cor Branca que sempre reservei para um momento adequado, colocando-a acima da corda Vermelha. Surgiu a seguinte sequencia superior de cordas: Branca com as pontas verdes, Branca com as amarelas, Branca com as pontas azuis, Branca com as pontas Roxas, Branca com as pontas marrons, Branca com as pontas vermelhas e por fim, toda Branca. (clique na palavra "graduação" para conhecer toda graduação de Mestre Tabosa publicada no seu livro "O Filho de Xangô)

O Branco passando por todos os estágios de novo da graduação, mas numa condição superior, ficando assim a sustentação filosófica!

Para registrar, minha graduação dentro desta, é Branco com as pontas Vermelhas, que no Candomblé na sua maioria é considerada a cor de Xangô!!! Outra coincidência!!!

“Sou discípulo que aprendo, mestre que dou lição“!


Em 1975 levei como técnico uma equipe para participar do primeiro campeonato de Capoeira
organizado pela Federação Paulista de Capoeira, em São Paulo. Nós tínhamos que participar vinculados a Federação de Pugilismo, e quem nos levou, foi um boxer de nome Boa Morte! (clique nas palavra "campeonato de Capoeira" para assistir o vídeo do campeonato citado - diploma de destaque do Mestre Monera, aluno de Mestre Tabosa)

 


Em 1980 fui o primeiro a fazer uma experiência ímpar na capoeira, trazer um mestre para dar um curso de capoeira na minha academia! Chamei meu camarada mestre Peixinho, que nunca tinha dado um curso desta natureza!
(jornal cedido pelo Historiador Rubens Cavalcante)

Em 1981 chamei outro camarada da época, para também ministrar
um curso na minha academia, mestre Camisa hoje (Abadá), que também nunca tinha tido este tipo de experiência! (jornal cedido pelo Historiador Rubens Cavalcante)
É bom registrar que participamos de todos os campeonatos brasileiros de capoeira que tiveram, o que me deu experiência para quando fui chamado por Sergio Graça da Seed/Mec, Secretaria de Educação do Ministério da Cultura, a coordenar em nível nacional a capoeira no Jebs (jogos estudantis brasileiros), quando a mesma participava pela primeira vez como modalidade competitiva, no Jebs de 1985! Mas quando perguntei como seria o regulamento e Serjão me falou, o mesmo da Confederação de Pugilismo, neguei minha participação como coordenador, o que causou surpresa por ser tratar historicamente da primeira vez da capoeira neste tipo de certame. Outros coordenaram e quase que a capoeira foi retirada do Jebs, chegaram a cogitar a saída da capoeira dado a confusão que foi! (Foto: Mestre Macaco - MG, Mestre Itapoã - BA, Mestre Gato - RJ, Mestre João Pequeno - BA, Mestre Tabosa - DF, Mestre Eziquiel - BA e Mestre Gladson - SP nos Jebs)


Sergio me chama de novo e pergunta se eu faria um regulamento para que a capoeira continuasse no Jebs! Então fiz um regulamento onde os participantes atletas, jogariam Capoeira numa roda oficial onde seriam aferidos por 5 juízes que de forma subjetiva dariam suas notas do jogo!

Primeiro eu queria passar ao estudante jovem ainda, que o mais importante que ganhar, era ele ter registrado na história do Jebs sua participação de uma roda oficial e que foram avaliados por 5 “mestres”! (clique na palavra "Jebs" para ver mais fotos)

Isso, portanto aconteceu em Vitória-ES em 1986, dando tão certo, que na minha segunda coordenação em 1987 já pude colocar o que eu mais pretendia, 5 mestres de renome como: Itapoã e Ezequiel representando a capoeira Regional e João Pequeno e Paulo dos Anjos, representando a Angola, além de um quinto para ser ímpar, revezando como: Gato da Senzala, Garrincha da Senzala e Suassuna!

Foram 5 anos de coordenação com sucesso, onde a filosofia que eu queria se fez, onde os garotos participaram de uma competição, mas com o espírito de priorizar e de fazer seu melhor jogo a frente de renomados Mestres, numa roda Oficial, coisa que poucos teriam a oportunidade!


Isso deu tão certo que a organização dos JEBS, exigiu de todas as modalidades que tinham históricos somente de competição, que também passassem a exigir de seus atletas e alunos em fase de formação, o nosso modelo!
Claro que para isso acontecer foi necessário que pessoas que estavam situadas em cargos de poder dentro do Mec, como da própria SEED-Mec, tivessem uma cabeça aberta para o novo, como os professores Bruno da Silveira e Turibio, além da flexibilidade de quem me chamou para coordenar, o professor Sérgio Graça.

Quando resolvi o problema da competição da capoeira no JEBS, surgiu um outro problema. Eu não sabia que os alunos atletas teriam que passar quase uma semana pelo JEBS!

Foi aí que agregamos ao regulamento outras fases para que a Unidade Federativa, o Estado, se sagrasse campeã, ou seja, entreter os alunos por quase uma semana.

Num dia, a equipe (UF) tinha que fazer uma exibição de capoeira mostrando sua capacidade de criação, num outro a equipe (UF) mostrando os toques de berimbau. Toda a equipe (UF) tinha que entregar uma pesquisa sobre capoeira ou outro assunto pertinente, sendo o somatório da roda da competição com essas outras fases, os requisitos para dar o resultado da (UF) ou equipe campeã! O campeão da roda, além de somar para a equipe, tinha sua situação em destaque, claro!

Neste quinto ano que coordenei, já sentia por parte de alguns coordenadores de algumas unidades federativas, a vontade de tirar os Mestres mais velhos da posição de Juiz, por acharem lentos na sua avaliação do jogo e substituírem por mestres mais jovens!

Fiz uma reunião com todos os Mestres e expliquei o motivo da minha saída, e querendo também ver com outro coordenador, como se comportaria esse tipo de regulamento!

Interessante que Mestre João Grande, o mais velho, pediu a palavra e disse: não entendo, eu já sei quem vai ganhar o jogo, logo na forma que o capoeira desce no berimbau!

Depois dessa eu não tinha mais o que falar!

Tiraram os velhos mestres, chamaram apenas mestre Itapoã sob nova coordenação, que se negou em detrimento a saída dos velhos mestres e a Capoeira praticamente saiu do Jebs! Atualmente vejo professor Tiago Baldez, buscar essa essência para fazer o resgate!

Em 1990 coordenei o primeiro projeto “jogos Abertos de Brasília de Capoeira”, onde tive a oportunidade de ter a experiência deste tipo de regulamento com os adultos. Na oportunidade tinha a presença do mestre Kall como competidor, que entendeu a proposta, dando o exemplo de como deve ser um Mestre de Capoeira!

Tive a oportunidade de levar o grupo de graduados da nossa academia num encontro maravilhoso que aconteceu no Rio de Janeiro em 30/11/1984 a convite do mestre Camisa-Rj, no Circo Voador - Rj. Procurei fazer na oportunidade uma apresentação diferente, pois esperando que todos iriam fazer suas apresentações de uma roda, eu propus que todos nós estaríamos de terno branco, que na minha intenção era de homenagear o mestre Bimba e sua capoeira Regional, o que desde o início da minha academia, eu fazia minhas aulas baseadas na forma de ensino da capoeira Regional. (Clique no nome Circo Voador para ver mais fotos do evento)

Fui o primeiro a usar na sala de aula a imagem do mestre Bimba, pendurado na parede, assim como o judô faz com a figura do sensei Jigorokano, a ser reverenciado sempre!


Levei então os alunos graduados: Japão – Herald – Boca – Edna Bailarino – Kaíka – Macaco – Popó – e convidei Onça Tigre com uma participação especial, para fazer uma surpresa, uma vez que ele era da segunda turma de mestre Bimba, o que causou um impacto a todos. Fiz um esquete com ele, onde eu o atacava com uma faca e ele usava um guarda-chuva, como era usado pelos capoeiras antigos. Demonstramos uma defesa pessoal usando o guarda-chuva, como eles treinavam no mestre Bimba! Convém registrar que naquela época não usávamos o título de “mestre”!

Em 1987 participei também como palestrante da “Primeira Jornada Cultural de Capoeira” em Ouro Preto-Mg, evento divisor de águas na Capoeira, referência, com a participação de muitos Mestres renomados. (clique nas palavras Primeira Jornada Cultural de Capoeira para assistir o vídeo do Mestre Tabosa jogando e comemorando o aniversário do Mestre Peixinho)




Em 1991, representei o Brasil com a capoeira num encontro
Mundial de Arte Marciais, na Alemanha, onde compunha o grupo, além de mim, Ralil – Edinho – Carla Testa – Zulu – Luiz Renato.

Em 1993 fiz uma reportagem no Correio Brasiliense, contra o clímax de brutalidade entre gangues de Brasília pela morte do adolescente Velasco.

Em 1997 na Cidade da Paz aqui em Brasília, fizemos uma exibição que guardo na memória pelo fato de ter tido a presença de vários mestres que estavam visitando Brasília, entre eles os Mestres: João Pequeno  – Ba, Bertinho-Ba, Ezequiel-Ba, Itapoã-Ba- Paulo dos Anjos-Ba, Onça Tigre-Ba/DF, Suassuna-Sp - Japão-Df, Paulão-Df , eu e alguns alunos.

Ao termino da exibição, uma das intelectuais que estava na plateia, admirado com o mestre João Pequeno perguntou-lhe: “quando ele tinha começado a Capoeira”, e ele se deslocou até o centro da roda e se deitou no chão!

Nós ficamos apreensivos também, e ele deitado em posição fetal, começou a ficar de quatro, engatinhou em direção a mulher que perguntara, se levantou cambaleando ao mesmo tempo como se fosse uma ginga cambaleada e desferiu uma bênção no rosto da mulher que estava sentada! Precisa falar mais alguma coisa? Foi ovacionado, como sempre. (Foto: Xanzinho - DF (aluno de Mestre Tabosa), Mestre Bertinho - BA, Mestre João Pequeno - BA, Mestre Paulo dos Anjos - BA, Mestre Eziquiel - BA, Mestre Itapoã - BA, Mestre Suassuna - SP, Mestre Tabosa - DF,  Mestre Onça-Tigre - BA, Mestre Paulão - DF, Mestre Japão - DF (aluno de Mestre Tabosa), Mestre Herald - DF e Paulo Tibana - DF

Gostaria neste momento citar aqueles que compuseram a base da Academia Tabosa e que chegaram a
graduação de corda Vermelha: pela ordem, Gil e Monera que começaram ainda na UNB, em seguida já na Academia Tabosa, Abadá –Tibério – Japão – Skysito – Bailarino – Herald – Fred Guaraná – Ralil – Jansen.

E agora recentemente pude reparar em tempo, com o evento que fizemos com o título “Academia Tabosa do Terceiro Milênio”, onde mestre Skysito junto com minha irmã Maira Tabosa, que sempre está me ajudando a organizar de forma a usar essa ferramenta que é a mídia computadorizada, tudo referente a mim e a Academia Tabosa, graduar aqueles que estavam à beira da graduação da corda Vermelha, quando tive que mudar para Búzios por 4 anos. Neste evento, foram graduados a corda Vermelha: Boca – Apollo – Fred Arquiteto- Paulo Galante – Louro – Piauí – Rogélio.


E pude dar o start da nossa graduação superior que já mencionei, corda: Branca com as pontas Verdes: todos os primeiros cordas Vermelhas ou seja: Gil-Monera-Abadá-Tibério-Japão-Skisyto-Bailarino-Herald-Fred Guaraná-Ralil-Jansen. (clique nas palavras "branca com as pontas" para ver tudo sobre o evento Academia Tabosa do Terceiro Milênio, quando Mestre Tabosa dá início na sua graduação de Mestre Superior para seus alunos)


Esta graduação está lançada, usa quem quiser e está aberto a outras academias que queiram usá-la!

Muitos que se dizem autodidatas aqui em Brasília, devo dizer que, ou passaram por mim ou pelo mestre Adilson, e digo que não passaram pouco tempo! Passaram anos treinando dentro da Academia.

Outros que passaram com poucos treinos, foram o atual mestre Nenel e Emerval, filhos do mestre Bimba!

Gatinho, também treinou com a gente, filho do mestre Gato da Bahia, que tive o prazer de dividir as rodas de sábados na nossa academia, onde tocava um berimbau maravilhoso!

Tive a oportunidade de atender um convite do mestre Gato na sua academia em Brazlândia e formar seu aluno, onde num ritual todo próprio, após nosso jogo, pediu pra eu escrever na perna do abadá dele o seu apelido na capoeira, “Gavião”, assim o fiz!

E também tive o prazer de ter nos nossos treinos, mestre Sabu, antes de ele se mudar para Goiânia.

Também devo registrar que em 2011, fui indicado pela deputada Eliana Pedrosa, junto com Cláudio Danadinho, Fritz e em memória meu mestre Aldenor Benjamin, mestre Arraia, como “Cidadão Honorário”, relativo ao que fizemos pela Capoeira em Brasília. (clique nas palavras "cidadão honorário" para assistir o vídeo do discurso)

Ainda em tempo registrar que fui comtemplado no projeto “Capoeira Viva” e no projeto “Viva meu Mestre” e ainda provocado pelo mestre Pombo de Ouro, escrevi o livro “O Filho de
Xangô”, que teve o patrocínio do FAC. 

Talvez isso me dê crédito a criticar uma tendência que alguns capoeiristas estão tendo em dar um cunho religioso na Capoeira. (clique no nome do livro de Mestre Tabosa para ver as fotos do lançamento)

Até mestre Bimba que era filho de africano e que tinha seu terreiro de Candomblé, soube diferenciar uma coisa da outra, respeitando, com o não uso do atabaque na Capoeira por achar um instrumento sagrado do Candomblé.

A graduação que fiz baseado nos Sete Orixás da Umbanda, como disse, era uma homenagem a força daqueles que escravizados tiveram para poder ainda lutar pela sua liberdade, que era sua Fé, tão somente!

“Quando o pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando ele morre, as formigas o comem”!

Agora tenho ouvido uma tendência de mistificar o Berimbau, como um instrumento religioso na Capoeira.

Nossa história da Capoeira está mais sustentada em relatos ou até mesmo em pinturas, que de certa forma contam a história de épocas que relatam o comportamento, como nas pinturas de Debret, francês que viveu no Brasil em 1816 a 1831 e de Rugendas em 1763, que naquela famosa gravura retrata a capoeira com um pequeno atabaque, instrumento que os africanos sempre usaram em seus ritos de luta.

Através de seus quadros não temos nesta época ainda a associação da Capoeira com o Berimbau!Temos retratado por Debret a figura de um cego, pedindo ajuda com o uso do Berimbau, ou até mesmo os vendedores ambulantes retratados por Guillobel (1787-1859), que para chamarem atenção usavam o berimbau. Isso tudo acontecendo na cidade do Rio de Janeiro em pleno século XVIII e XIX!

No Rio, pela perseguição das Maltas, se desconhece a presença deste arco musical! Tem um relato interessante de um inglês chamado Henry Koster, que se radicou em Pernambuco, virando senhor de engenho e passando a ser chamado de Henrique Costa. Escreveu em suas anotações em 1816, que de vez em quanto os escravos pediam licença para dançar em frente a Senzala e se divertiam ao som de objetos rudes, um deles era o atabaque, outro um grande arco com uma corda, tendo uma meia quenga de coco no meio ou uma pequena cabaça amarrada, utilizando assim talvez para o treino da capoeira!

Rosangela Pita na revista Super Interessante, lançada no mês de maio de 1996 - “Berimbau usado no Brasil Colônia”!

Segundo Emilia Biancardi na metade do século XIX o Berimbau entra pra Capoeira, o que foi muito importante, pois deu uma força que a manteve mais viva naquela época até nossos dias atuais. Portanto, quis trazer esse depoimento histórico pra dizer que o Berimbau é um instrumento muito importante pra nós capoeiristas. Um mestre conduzindo uma roda com um Berimbau, ele pode parar a roda, simplesmente parando de tocar o Berimbau! Ele pode mudar o andamento do jogo, mudando simplesmente o toque! (Clique no nome da artista para acessar as informações citadas)

Mas não vamos também levar para o lado místico religioso, com alguns querem inventar! O comportamento na roda de Capoeira é uma forma de educar principalmente a se ter respeito ao Mestre, aos camaradas da roda, onde você tem que saber respeitar o coletivo, entrando no jogo, quando permitido e aberto as percepções que a roda exige implicitamente!

“ Saiba que uma árvore pode produzir um milhão de fósforos, mas basta um fósforo para queimar um milhão de árvores!"

Essa história de árvore genealógica da capoeira, temos que levar em consideração a realidade dos fatos!

Meus alunos fizeram uma árvore em que nos leva a uma ramificação que nos chega ao mestre Bimba ou segundo mestre Claudio Danadinho, até mesmo ao mestre Pastinha!

Como relatei nesta autobiografia, fui um dos primeiros a usar como academia, o ensino da capoeira Regional com suas sequências, ritmo e etc, além claro, a do próprio mestre Bimba!

Até mesmo os próprios alunos diretos de mestre Bimba, custaram a dar aulas de capoeira Regional, pois como sabemos, mestre Bimba tinha o domínio total da sua arte!

Sempre usei e uso até hoje, elementos da capoeira Regional, primeiro por ter identidade com a modalidade, apesar de nunca ter tido autorização do mestre Bimba para isso, o que acho que nunca teria sido necessário!

Agora, temos alguns alunos que apareceram no cenário da capoeira atual, que até mesmo pouco treinaram diretamente com o Mestre, reivindicarem aqueles que são realmente “filhos de Bimba”! Exigindo que somente poderão se considerar da Capoeira Regional, aqueles que foram alunos direto do mestre Bimba! Parece que mesmo que os que foram por um ou dois anos.

Eu não fui, nem tão pouco meu mestre foi, como relatei no histórico, portanto, para estar com a consciência limpa, pois sempre me preocupei com as atitudes, vou podar essa nossa árvore genealógica, para não ser cobrado pelos atuais “filhos de Bimba”, nem soar que eu esteja querendo me complementar com tal fato! Minha árvore genealógica vai até meu mestre, Mestre Arraia, Aldenor Benjamin. (Foto: Mestre Arraia no centro tocando berimbau - foto cedida pelo Mestre Adilson)











Agradecimento: Quero agradecer aos camaradas, professor Tiago Baldez e Mioju, pela nobre iniciativa da realização deste projeto e pioneiro “Saberes dos Mestres na Capital”, onde além da ideia ter surgido da vibração de seus corações, surgiu num espaço próprio da natureza da Capoeira, que é a roda de rua, a coisa pública!

Como tudo que se faz de forma despretensiosa a sua pessoa, mas querendo somar a Arte da Capoeira, que tem uma força própria capaz de superar o tempo e as forças contrárias, vemos tomar corpo o projeto!

Agora também com medidas de salvaguarda junto ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, coisas que chamamos de sorte, outros destinos, e a Capoeira chama de merecimento.



Quatro amores:
Deus – quem está no comando
A Vida – que é curta
A Família – que é única, inclusive da Capoeira
E os Amigos - Que são Raros

Brasília, DF, 01 de Dezembro de 2017 Hélio Tabosa de Moraes

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